Instale-se em Borba na Casa do Terreiro do Poço Sexta-feira à noite e no dia seguinte depois de uma bom pequeno almoço, parta à descoberta de Vila Viçosa, assim chamada por ter nascido num vale viçoso. Mapa de Vila Viçosa

À entrada da Vila, vindo de Borba, fica o Palácio Ducal, antiga residência dos Duques de Bragança (aberto Sábados e Domingos 09h30 – 13h00, 14h30 – 18h00) que tem 50 salas visitáveis. A fachada principal é toda revestida de mármores da região e inspira-se na arquitectura italiana renascentista, com três andares, a cada um deles correspondendo, desde o rés-do-chão ao piso superior, uma das ordens clássicas: dórica, jónica e coríntia sendo o rés-do-chão onde estão concentradas as colecções de Artes Decorativas: colecções de pintura, escultura, mobiliário, tapeçarias, cerâmica e ourivesaria, que inclui frescos e azulejos seiscentistas, tectos em caixotões e pintados, lareiras em mármore com elaborados programas decorativos. A cozinha onde termina a visita deixa uma impressão indelével pelas suas dimensões e pela quantidade de utensílios em cobre que encerra.

Nesta visita poderá ainda ver:

Armaria - colecções de armas que abrangem um vasto período, desde o século XV ao século XIX e que inclui o revólver disparado pelo Príncipe D. Luis Filipe no dia do Regicídio. Porcelana Chinesa - cerca de 100 peças de porcelana azul e branca de grande beleza, oriundas da China, dos séculos XVI-XVII. Tesouro - colecção que começou com a Cruz de Vila Viçosa, precioso receptáculo de um fragmento do Santo Lenho, obra executada entre 1656 1673 por Filipe Vallejo, por ordem do Duque D. João II (D. João IV de Portugal) a que se juntou mais de 170 peças de ourivesaria únicas que faculta ao visitante um relance sobre um núcleo de Ourivesaria civil que incide sobre os séculos XVIII e XIX, época áurea dessa arte em Portugal. Carruagens - a maior e mais variada colecção da Europa que reune 80 carros - coches, liteiras, berlindas e caradaus dos séculos XVII a XX e numerosos arreios.

Na praça quadrangular onde se encontra o Paço Ducal também encontra :

a Igreja dos Agostinhos - Panteão dos Duques (séc. XI); a Igreja das Chagas - Panteão das Duquesas (séc. XVI); o Convento das Chagas e o Paço do Bispo - onde se encontra o Arquivo da Casa de Bragança e a Tapada Real cujo acesso é feito através da Porta de S. Bento (século XVIII) – e que é uma área murada com cerca de 1500 hectares, onde predomina o sobro e o azinho, com uma considerável população de veados e outra, menos numerosa, de gamos e onde ainda hoje se caça. Podem ainda encontrar-se raposas, javalis, saca-rabos e texugos, bem como perdizes, poupas, cegonhas-brancas, abelharucos e diversas espécies de aves de rapina.

Depois de tão vasta visita aconselhamos um bom almoço com especialidades da região: um cozido à alentejana, uma boa favada, ou gaspacho frio e bacalhau ou sardinhas assadas conforme a stação do ano ou porque não migas alentejanas com entrecosto frito, acompanhado por um bom vinho da região e para terminar as tão apreciadas Tibornas de amêndoa e gila ou arroz doce.

Para ajudar à digestão suba a Av. da Estação até ao Museu do Mármore (Terça-Feira a Sábado: 9.00h – 12.30h; 14.00h – 17.30h), albergado numa estação dos caminhos-de-ferro em desuso, que data de 1904. Da extracção à transformação do mármore, passando pela apresentação dos objectos e instrumentos de trabalho utilizados, o Museu oferece ao visitante preciosas informações sobre o passado e o presente de uma actividade que remonta ao tempo dos romanos.

Na antiga Rua dos Fidalgos, que corre do Terreiro do Paço até à Praça Nova, actual Praça da República, situam-se os antigos Paços dos Sanches de Baena, e o dos Silveiros Meneses. A Praça da República, coração da Vila, está rodeada de elegantes edifícios como o Palácio Sousa da Câmara e os Paços do Concelho onde se pode visitar e consultar a Biblioteca de livros antigos (sécs. XV a XIX), o importante arquivo Histórico da Câmara Municipal, que integra também o da Misericórdia, constituído por cerca de 2000 livros, códices, maços e documentos avulsos datados desde o séc. XV até ao séc. XIX.

Na Avenida dos Duques de Bragança que acompanha a cerca amuralhada desde os Agostinhos poderá ver o Convento e Igreja de Nossa Senhora da Esperança fundado em 1553 pela Duquesa de Bragança, D. Isabel de Lencastre (séc. XVI), e a meio um dos mais belos e elegantes pelourinhos (séc. XVI) que subsistem em Portugal. Continuando na Avenida Duques de Bragança irá ter ao Castelo de Vila Viçosa (está encerrado Sábados e Domingos de Setembro) que foi mandado edificar por D. Dinis mas pouco resta da construção inicial e onde pode visitar o Museu de Arqueologia que expõe em numerosas salas do piso térreo peças arqueológicas de todas as épocas, com relevo para o espólio romano - sobretudo cerâmica - encontrado na região e o Museu da Caça - um dos melhores e mais originais museus de caça de todo o mundo.

Se ainda tem tempo e fôlego ainda pode ver:

Das suas casas nobres destacam-se ainda: o Palácio dos Matos Azambuja, na Praça Martim Afonso de Sousa, a lembrar as loggias italianas; a Casa dos Machados e a Casa dos Mascarenhas. Fora do perímetro urbano merece referência especial a Casa de Peixinhos.

Das suas igrejas: - Igreja de Nossa Senhora da Conceição – Padroeira de Portugal. - A Igreja da Misericórdia, (séc. XVI), onde pode ver um espólio de arte sacra, talha dourada e azulejaria que compõem o seu interior. - O Convento dos Capuchos (Igreja de Nossa Senhora da Piedade de fachada barroca, datada de 1556).

Abasteça-se de produtos da região de qualidade como vinho, enchidos, azeite, queijadas, nógados, bolos flintos, filhós e azevias para levar para casa.

De regresso a Borba, dê um mergulho na piscina da Casa do Terreiro do Poço se for verão ou simplesmente descanse e jante numa das tasquinhas de Borba. Sugerimos uma sopa de tomate, da panela, de cação, de batata, de beldroegas - a dificuldade vai ser a escolha - acompanhadas por vinho da região e arroz doce como sobremesa.

Domingo de manhã, dê outro mergulho na piscina ou um passeio a pé por Borba conforme a estação do ano, e aproveite para apreciar mais uma vez a gastronomia alentejana desta vez como manda a tradição no Alentejo para um almoço de Domingo, açorda quente com ovos, ensopado de borrego ou o borrego assado, terminando com sericá, sobremesa oriunda de terras orientais. Se vai conduzir não beba vinho que queremos que chegue bem a casa e está pronto para enfrentar o dia-a-dia.

Volte sempre.